Coren-BA registra 233 casos em 2026; número já supera o total contabilizado em todo o ano de 2025
Saúde | Bahia | 26 de agosto de 2026
A violência contra profissionais de Enfermagem voltou a ganhar destaque na Bahia diante do aumento expressivo de registros envolvendo trabalhadores que atuam diretamente na assistência à população.
Dados divulgados pelo Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) apontam que foram registrados 233 processos relacionados a situações de violência contra profissionais de Enfermagem em 2026, até o levantamento realizado em agosto. O número representa aproximadamente 43% a mais que os 163 registros contabilizados durante todo o ano de 2025.
O cenário levou o Coren-BA a lançar uma campanha de combate à violência nos serviços de saúde, com o objetivo de chamar a atenção para agressões sofridas por enfermeiros, técnicos e auxiliares durante o exercício profissional.
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| Imagem do Site Coren-BA |
Aumento preocupa categoria
O levantamento do Coren-BA mostra que o problema não surgiu em 2026. Em 2024, foram registrados 169 processos; em 2025, foram 163. Com os 233 casos registrados até agosto de 2026, o período de três anos já soma 565 registros.
A situação também foi abordada pela ex-presidente do Coren-BA e atual presidente do Instituto de Enfermagem da Bahia, Giszele Paixão, em entrevista concedida à Rádio Itapoan FM.
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| Enfermeira Gizsele Paixão na Rádio Itapoan FM |
Segundo a representante, o enfrentamento da violência exige mais do que campanhas de conscientização. Ela defende medidas concretas de proteção, acolhimento e apoio aos profissionais que enfrentam situações de violência durante o trabalho.
Veja a entrevista da Enfermeira
Gizsele Paixão à Rádio Itapoan FM
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Violência vai além da agressão física
As situações de violência no ambiente de saúde podem assumir diferentes formas. Além das agressões físicas, profissionais podem enfrentar ameaças, violência verbal, assédio moral, constrangimentos e outras situações que comprometem a segurança e o bem-estar no trabalho.
Um manual de prevenção à violência em Enfermagem publicado pelo Coren-MG destaca que a violência no trabalho em saúde pode envolver diferentes fatores, entre eles sobrecarga dos serviços, condições inadequadas de trabalho, dimensionamento insuficiente das equipes e ausência ou fragilidade de protocolos institucionais.
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| TOQUE NA IMAGEM PARA ACESSAR O COREN-MG |
A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde também reúne estudos que demonstram a ocorrência de violência física e psicológica entre trabalhadores da saúde, evidenciando que o problema possui dimensão mais ampla e não se limita a episódios isolados.
Insatisfação com o atendimento não justifica agressões
Em momentos de superlotação, demora no atendimento ou dificuldades estruturais, pacientes e acompanhantes podem experimentar frustração e preocupação. No entanto, esses problemas não devem ser direcionados contra o profissional que está prestando assistência.
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| Momento em que Enfermeira é agredida em Santos-SP |
O próprio Coren-BA destaca que enfermeiros, técnicos e auxiliares estão na linha de frente do atendimento e não devem se tornar alvo da insatisfação relacionada aos problemas estruturais dos serviços de saúde.
A assistência deve considerar critérios técnicos e a gravidade de cada situação. Transformar a insatisfação em ameaça, humilhação ou agressão não contribui para melhorar o atendimento e pode colocar trabalhadores, pacientes e acompanhantes em uma situação ainda mais vulnerável.
Conselho defende proteção e acolhimento
Entre as medidas defendidas para enfrentar o problema estão o fortalecimento da segurança nos serviços de saúde, o acolhimento dos profissionais vítimas de violência, a criação de mecanismos de prevenção e o encaminhamento adequado das ocorrências.
Para o Coren-BA, a campanha lançada neste mês representa uma oportunidade para ampliar o debate e conscientizar a sociedade sobre a necessidade de preservar a integridade dos trabalhadores da Enfermagem.
A discussão também ocorre em outros estados. Em Santa Catarina, por exemplo, levantamento divulgado pelo Coren-SC em agosto de 2026 apontou que 74,8% dos mais de 2,2 mil profissionais participantes afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência durante o exercício profissional.
Segurança também faz parte do cuidado
Por isso, o enfrentamento da violência contra a Enfermagem exige participação conjunta de gestores, instituições de saúde, órgãos de fiscalização, profissionais, pacientes, acompanhantes e sociedade.
Respeitar quem trabalha para cuidar também é uma forma de proteger a saúde de todos.
O que pode ajudar no enfrentamento?
- Fortalecimento das medidas de segurança nas unidades de saúde;
- Protocolos institucionais para prevenção e resposta a situações de violência;
- Capacitação das equipes para lidar com conflitos;
- Acolhimento dos profissionais vítimas de agressão;
- Registro e encaminhamento adequado das ocorrências;
- Responsabilização dos agressores conforme a legislação;
- Campanhas permanentes de conscientização.
Portal Caires
O aumento dos registros na Bahia reforça a necessidade de transformar a discussão sobre violência contra profissionais de Enfermagem em ações permanentes de prevenção e proteção.
Profissionais que estão diariamente na linha de frente da assistência precisam ter condições seguras e dignas para exercer suas atividades.
Cuidar de quem cuida é responsabilidade de toda a sociedade.
Fontes: Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA); BNews; Ministério da Saúde/Biblioteca Virtual em Saúde; Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren-SC); Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG).
✍️ Sobre o Autor
Claudio Caires é socorrista, instrutor de Atendimento Pré-Hospitalar, Técnico em Enfermagem, Técnico em Segurança do Trabalho e fundador da Caires Emergência & Treinamentos.
Com mais de 30 anos de experiência em resgate, primeiros socorros, educação em saúde e capacitação profissional, dedica-se à produção de conteúdos baseados em evidências científicas e na experiência prática, contribuindo para a formação de estudantes, profissionais da saúde e da comunidade.









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